Sumário
- Um caso que não deveria acontecer
- O que é a oftalmia neonatal e por que ela preocupa
- Por que o PVPI se destaca entre os agentes profiláticos
- PVPI no centro cirúrgico: prevenção de endoftalmite
- Evidências que sustentam o uso
- Conclusão
Um caso que não deveria acontecer
Era início de plantão em uma maternidade pública do interior de Minas Gerais quando um recém-nascido, aparentemente saudável, evoluiu nas primeiras 48 horas com hiperemia intensa e secreção purulenta abundante nos olhos. A suspeita clínica imediata foi de oftalmia neonatal, condição que, quando associada à Neisseria gonorrhoeae, pode levar à ulceração corneana e cegueira em poucos dias. O caso, infelizmente não isolado, evidencia uma lacuna ainda presente na prática assistencial: a ausência ou inadequação da profilaxia ocular ao nascimento, mesmo diante de medidas simples, seguras e de baixo custo, como o uso do colírio de Polivinilpirrolidona iodo (PVPI).
O que é a oftalmia neonatal e por que ela preocupa
A oftalmia neonatal permanece relevante no Brasil, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade social. Estima-se que infecções oculares neonatais estejam frequentemente associadas a falhas no pré-natal e à elevada prevalência de infecções sexualmente transmissíveis, cenário ainda observado em diversas regiões do país. Nesse contexto, a PVPI apresenta vantagens importantes em relação a agentes clássicos, como o nitrato de prata, por sua ação de amplo espectro — incluindo Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis — além de reduzida toxicidade, baixo custo e ausência de resistência bacteriana descrita. Seu mecanismo de ação baseia-se na liberação de iodo livre, capaz de promover rápida destruição de proteínas e estruturas celulares microbianas, o que a torna altamente eficaz como antisséptico ocular.
Por que o PVPI se destaca entre os agentes profiláticos
Estudos clínicos e revisões recentes destacam que a PVPI possui atividade contra bactérias, vírus e fungos, com tempo de ação rápido, o que a torna especialmente útil na prática clínica oftalmológica. Além disso, por não depender de mecanismos específicos de ligação bacteriana, seu uso reduz o risco de falhas terapêuticas associadas à resistência antimicrobiana, um problema crescente na saúde pública global. Assim, a instilação de colírio de PVPI logo após o nascimento representa uma intervenção altamente custo-efetiva, particularmente em sistemas de saúde com recursos limitados.
PVPI no centro cirúrgico: prevenção de endoftalmite
Em paralelo ao cenário neonatal, o uso da PVPI como antisséptico pré-cirúrgico em oftalmologia consolidou-se como padrão na prevenção de infecções intraoculares, especialmente a endoftalmite pós-operatória, uma das complicações mais graves e temidas da cirurgia ocular. A superfície ocular é naturalmente colonizada por microrganismos, sendo a flora conjuntival a principal fonte de contaminação intra operatória. A aplicação tópica de colírio de PVPI, tipicamente em concentrações de 5% na conjuntiva, reduz significativamente essa carga microbiana, configurando-se como a medida isolada mais eficaz na profilaxia de endoftalmite.
Evidências que sustentam o uso
Evidências clínicas demonstram impacto direto dessa prática nos desfechos cirúrgicos. Em um estudo envolvendo mais de 4000 cirurgias de catarata, a introdução da PVPI a 5% no preparo pré-operatório reduziu a incidência de endoftalmite de 0,294% para 0,097%, representando uma diminuição substancial do risco infeccioso.
Conclusão:
Retornando ao caso inicial, a evolução poderia ter sido diferente. A profilaxia ocular neonatal com PVPI, aplicada de forma correta e oportuna, poderia ter prevenido a infecção e suas possíveis sequelas. Da mesma forma, no ambiente cirúrgico, a ausência desse antisséptico está associada ao aumento comprovado de complicações infecciosas graves. Em ambos os cenários, trata-se de uma intervenção simples, acessível e respaldada por robusta evidência científica.
Para uma prática oftalmológica mais segura e eficiente, os colírios de PVPI manipulados pela Pharmédice oferecem qualidade e confiabilidade. A formulação a 2,5% é ideal para a prevenção da oftalmia gonocócica neonatal, enquanto a concentração a 5% se destaca como padrão no preparo antisséptico pré-cirúrgico. Com rigor técnico e controles adequados, são soluções práticas, acessíveis e alinhadas às melhores evidências científicas para o cuidado ocular.
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